sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quem Tem Culpa?


O David era um jovem de 29 anos que morreu no hospital de S. José, em Lisboa, depois de ter entrado nas urgências e de lhe ser diagnosticado o rompimento de um aneurisma. Para este tipo de casos é necessária uma intervenção cirúrgica imediatamente após o diagnóstico. Este jovem não teve direito a ser tratado de forma conveniente porque os médicos especialistas neste tipo de intervenção não estavam disponíveis durante o fim de semana (altura em que o caso aconteceu).

E porque é que os médicos e enfermeiros não estavam disponíveis?
A resposta é simples: porque o ministro da saúde de Passos Coelho lhes cortou o vencimento pago por fim de semana em 50%. Não concordando com o corte estes profissionais simplesmente deixaram de prestar serviço ao fim de semana.

A realidade é que o hospital em que o David deu entrada tinha neurocirurgiões disponíveis, mas para este tipo de caso são necessários profissionais especializados especificamente neste tipo de doença e foram precisamente estes profissionais que recusaram trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Ministério da Saúde oferecia.

De acordo com o Expresso o corte aqui referido incidia sobre as horas extraordinárias que eram pagas a estes profissionais para estarem em suas casas à espera de serem chamados para uma urgência. Estes médicos e enfermeiros ganhavam, depois dos cortes aplicados, €250 e €130, respetivamente. Reforço: não precisavam de estar no hospital, só tinham que lá ir se fossem chamados para uma urgência, como a que aconteceu com o David.

Mais uma vez, os governos democraticamente eleitos pelos portugueses estão nas mãos de corporações com interesses exclusivamente pessoais. Não podemos esconder que o David morreu por fala de assistência médica, justificada por um pagamento inferior àquilo que os médicos e enfermeiros acham justo.

Se no caso das greves no setor dos transportes os interesses exclusivos dos trabalhadores "apenas" fazem pessoas perderem os empregos porque chegam atrasadas, no caso do setor da saúde estas greves egoístas "apenas" fazem perder vidas.

Todos os trabalhadores, de todos os setores, têm o direito de se manifestar e reivindicar melhores condições de trabalho, mas a luta pelos direitos individuais só é aceitável num estado de direito se não colidir frontalmente com outros direitos de outros cidadãos.

Os médicos e enfermeiros não querem que os outros decidam o que é melhor para si, mas acham-se no direito de decidir o que é melhor para o David e para as outras quatro pessoas que eles decidiram que deviam morrer para eles reivindicarem os seus direitos!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Banca É O Melhor Negócio Do Mundo

Depois da queda de 4 - quatro! - bancos portugueses ficámos a saber que este é um dos negócios mais rentáveis e, ao mesmo tempo, um dos que menos riscos envolvem.

Em primeiro lugar este é um negócio que os políticos levam ao colo. Sob o pretexto de contaminação da economia Cavaco é o primeiro embaixador do negócio da banca. Já alertou várias vezes para os "riscos sistémicos" da falência de uma destas instituições. Das poucas vezes que fala, o "palhaço" elege quase sempre este tema.

A nossa União, tão pouco importada com os problemas sociais que países como Portugal, Grécia ou Espanha evidenciam, não se poupa a esforços quando um banco está em dificuldades. No caso do BES até aprovou prontamente legislação exclusiva para evitar o contágio dos outros bancos. O estado, esse, é que apanha sempre com as infeções!

Estamos habituados a que esta economia liberal funcione "com o mínimo de influência do estado". Esta prática é verdade para a maioria das pequenas e médias empresas que têm que pagar impostos e vivem, mês após mês com a corda no pescoço sem saber como pagar salários e com as finanças de arma em punho. No caso destes colossos que fazem funcionar a economia, o estado enterra dinheiro ano após ano, para depois os vender por tua-e-meia a outros bancos que, quando precisarem de falir, cá está o estado para os segurar!

Que mercado é este que olha para a economia sob o ponto de vista liberal, e apenas aplica as regras de Smith aos hospitais, escolas e meios de transporte, usando as de Marx para lidar com os bancos?

Se um banco, por mais pequeno que seja, é demasiado grande para falir das duas uma... Ou não deve ser privado, ou os Carlos Costas e Constâncio desta vida têm que fazer o seu trabalho como deve ser.

P.s.: Vitor Constâncio fez tão bem o seu trabalho que, depois da borrada com o BPN, foi promovido a alto quadro do Banco Central Europeu. Para onde irá Carlos Costa?