sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quem Tem Culpa?


O David era um jovem de 29 anos que morreu no hospital de S. José, em Lisboa, depois de ter entrado nas urgências e de lhe ser diagnosticado o rompimento de um aneurisma. Para este tipo de casos é necessária uma intervenção cirúrgica imediatamente após o diagnóstico. Este jovem não teve direito a ser tratado de forma conveniente porque os médicos especialistas neste tipo de intervenção não estavam disponíveis durante o fim de semana (altura em que o caso aconteceu).

E porque é que os médicos e enfermeiros não estavam disponíveis?
A resposta é simples: porque o ministro da saúde de Passos Coelho lhes cortou o vencimento pago por fim de semana em 50%. Não concordando com o corte estes profissionais simplesmente deixaram de prestar serviço ao fim de semana.

A realidade é que o hospital em que o David deu entrada tinha neurocirurgiões disponíveis, mas para este tipo de caso são necessários profissionais especializados especificamente neste tipo de doença e foram precisamente estes profissionais que recusaram trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Ministério da Saúde oferecia.

De acordo com o Expresso o corte aqui referido incidia sobre as horas extraordinárias que eram pagas a estes profissionais para estarem em suas casas à espera de serem chamados para uma urgência. Estes médicos e enfermeiros ganhavam, depois dos cortes aplicados, €250 e €130, respetivamente. Reforço: não precisavam de estar no hospital, só tinham que lá ir se fossem chamados para uma urgência, como a que aconteceu com o David.

Mais uma vez, os governos democraticamente eleitos pelos portugueses estão nas mãos de corporações com interesses exclusivamente pessoais. Não podemos esconder que o David morreu por fala de assistência médica, justificada por um pagamento inferior àquilo que os médicos e enfermeiros acham justo.

Se no caso das greves no setor dos transportes os interesses exclusivos dos trabalhadores "apenas" fazem pessoas perderem os empregos porque chegam atrasadas, no caso do setor da saúde estas greves egoístas "apenas" fazem perder vidas.

Todos os trabalhadores, de todos os setores, têm o direito de se manifestar e reivindicar melhores condições de trabalho, mas a luta pelos direitos individuais só é aceitável num estado de direito se não colidir frontalmente com outros direitos de outros cidadãos.

Os médicos e enfermeiros não querem que os outros decidam o que é melhor para si, mas acham-se no direito de decidir o que é melhor para o David e para as outras quatro pessoas que eles decidiram que deviam morrer para eles reivindicarem os seus direitos!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Banca É O Melhor Negócio Do Mundo

Depois da queda de 4 - quatro! - bancos portugueses ficámos a saber que este é um dos negócios mais rentáveis e, ao mesmo tempo, um dos que menos riscos envolvem.

Em primeiro lugar este é um negócio que os políticos levam ao colo. Sob o pretexto de contaminação da economia Cavaco é o primeiro embaixador do negócio da banca. Já alertou várias vezes para os "riscos sistémicos" da falência de uma destas instituições. Das poucas vezes que fala, o "palhaço" elege quase sempre este tema.

A nossa União, tão pouco importada com os problemas sociais que países como Portugal, Grécia ou Espanha evidenciam, não se poupa a esforços quando um banco está em dificuldades. No caso do BES até aprovou prontamente legislação exclusiva para evitar o contágio dos outros bancos. O estado, esse, é que apanha sempre com as infeções!

Estamos habituados a que esta economia liberal funcione "com o mínimo de influência do estado". Esta prática é verdade para a maioria das pequenas e médias empresas que têm que pagar impostos e vivem, mês após mês com a corda no pescoço sem saber como pagar salários e com as finanças de arma em punho. No caso destes colossos que fazem funcionar a economia, o estado enterra dinheiro ano após ano, para depois os vender por tua-e-meia a outros bancos que, quando precisarem de falir, cá está o estado para os segurar!

Que mercado é este que olha para a economia sob o ponto de vista liberal, e apenas aplica as regras de Smith aos hospitais, escolas e meios de transporte, usando as de Marx para lidar com os bancos?

Se um banco, por mais pequeno que seja, é demasiado grande para falir das duas uma... Ou não deve ser privado, ou os Carlos Costas e Constâncio desta vida têm que fazer o seu trabalho como deve ser.

P.s.: Vitor Constâncio fez tão bem o seu trabalho que, depois da borrada com o BPN, foi promovido a alto quadro do Banco Central Europeu. Para onde irá Carlos Costa? 

domingo, 22 de novembro de 2015

Não Há Segurança A Cima Da Liberdade

Vista de Paris a partir da Torre Eiffel em Fevereiro de 2012 ©Cláudia Paiva
Numa altura em que a Europa anda completamente desnorteada e sem saber se deve escolher a liberdade ou a segurança fiquemos com a frase do americano Benjamin Franklin:
"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança."
É importante perceber que o preço a pagar por uma sociedade aberta, livre e justa pode ser, muitas vezes, morrer com um tiro na cabeça disparado por um louco que se aproveita da conjuntura da qual discorda para semear o medo.

Os indivíduos que espalharam o terror em Paris só o conseguiram fazer porque se aproveitaram das aberturas próprias de uma sociedade democrática e respeitadora da privacidade individual. Só o conseguiram fazer porque se aproveitaram da liberdade que os ofende. A liberdade que os irrita. A liberdade que faz de nós - ocidentais - uma sociedade mais evoluída.


Agora à que reagir. Voltar às esplanadas, aos concertos, aos jogos de futebol. À que voltar a ter liberdade. Não devemos olhar para os atentados terroristas como uma inevitabilidade. Há arestas que têm que ser limadas, sim! Mas não somos nós que estamos errados. O caminho certo é o da integração. É o de uma Europa mais unida. A Europa que os conterrâneos dos imbecis que nos atacaram escolhem para viver. Porque também eles querem ser livres. E não vejo outra forma de viver que não esta: livre e democrática!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A Arquitetura De Coimbra

em Coimbra, Portugal

O "Anozero" arrancou no sábado (31 de outubro) e Coimbra passou a ter uma bienal de arte contemporânea. São mais de 30 exposições espalhadas por toda a cidade e em confronto direto com o património herdado que hoje é classificado pela UNESCO.

A convite da organização do "Anozero" - o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra -, faço parte deste grande evento com a colaboração na exposição "700+25 - A Arquitectura na UniverCidade". Aqui é possível olhar para Coimbra e destacar 25 edifícios que marcam uma nova época. São contemporâneos como todos os outros já foram e ainda são, mas destacam-se pela qualidade das linhas que os vincam.

700+25 é a idade da Universidade de Coimbra (UC) sendo que um quarto de século corresponde à idade do Departamento de Arquitetura da UC que, na opinião de Nuno Grande - um dos curadores desta exposição -, tem importância na qualidade das obras que se fizeram na cidade.

A minha colaboração nesta exposição prende-se com a produção de 27 vídeos sobre as obras destacadas na maquete com mais de 6 metros de comprimento e ilustradas com livros de obra.

Aqui ficam algumas fotos, os vídeos aparecerão mais tarde!
Arquiteto Sergio Fernandez, autor do projeto de requalificação do Mosteiro de Santa Clara A Velha
Arquiteto Alexandre Alves Costa, fundador do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e autor do projeto de requalificação do Mosteiro de Santa Clara A Velha
Edifícios destacados da Exposição 700+25, A Arquitectura da UniverCidade
Arquiteto Álvaro Siza Vieira, autor do Pavilhão de Portugal

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Os Títulos E Os Conteúdos

Na página da internet do Jornal de Notícias vi um artigo com o seguinte título: "Idosas saem de centro para dar lugar a refugiados". Ao longo da leitura ficamos com a ideia clara que um grupo de idosas foi dividido por vários lares e que estas estão muito desconsoladas com a situação. "Após décadas de vida, as sete idosas são obrigadas a refazer as rotinas. Já não vão ao pão a pé, acabam-se as conversas de circunstância na calçada histórica e a missa do Largo da Oliveira fica longe de mais para as voltar a ver. A convivência familiar que tinham passa a estar apenas na memória."

Quando chegamos ao antepenúltimo parágrafo percebemos claramente que o jornalista Delfim Machado escreveu esta notícia claramente com o objetivo de manipular a opinião pública dando a entender que esta "família" de idosas seria separada por causa dos refugiados quando, na realidade, "A decisão de transferência das mulheres foi motivada pela falta de condições do Recolhimento das Trinas para funcionar como Lar de Idosos."

Mais uma vez usa-se um título para fazer furor nas redes sociais e leva-se demasiado a sério um princípio ironizado do jornalismo que nos diz para não deixarmos que os factos nos estraguem uma boa história!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Novo Governo

Já aqui defendi que quem ganha as legislativas deve governar. Não porque deva ser efetivamente assim, mas porque os partidos políticos jogam no tabuleiro da eleição do primeiro ministro nas campanhas eleitorais.

No entanto, a constituição prevê que o partido com maior apoio eleitoral deva formar governo. Desta forma, e depois de Costa afirmar que tem condições para formar governo sendo corroborado por Catarina Martins, espero que o Presidente da República tenha perguntado a estes dois partidos, de forma direta, se aprovam ou não um governo PSD/CDS. No caso de a resposta ter sido negativa Cavaco deve indigitar António Costa sem fazer o país perder tempo. As ilações políticas e os eventuais castigos ou recompensas do eleitorado virão quando o governo da esquerda cair de maduro por perceber que muito mais é o que os separa do que aquilo que os une.

sábado, 17 de outubro de 2015

Estou Confuso...

Isto é uma reportagem? Uma publicidade? Uma publireportagem? Isto passou no telejornal? Isto só dá no site da rádio? O Zé Alberto aqui é jornalista? É ator? É diretor de informação? É aquele cargo estranho que ainda ninguém percebeu para que serve?
Tudo isto é estranho, mais estranho que o ele/ela do outro Zé. Aposto que a ERC vai abrir um processo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

José Rodrigues Dos Santos E A Homofobia

Hoje as redes sociais foram mais uma vez consumidas pelas chamas. Qual barómetro social, qual reino da parvoíce. Os internautas desocupados, ignorantes e cheios de vontade de sangue decidiram chacinar através das palavras no Facebook o jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos.

No Telejornal de ontem, o jornalista, por lapso já esclarecido pela RTP disse que "O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito, ou eleita, pelo PS". 
O tal deputado é Alexandre Quintanilha e, por coincidência, é homossexual. Mas José Rodrigues dos Santos não se lhe referiu nestes termos por graçola, mas antes porque pensava mesmo que se estava a referir a uma mulher, já que a peça da RTP também contemplava uma pensionista eleita pelo Bloco de Esquerda.

Rapidamente os internautas se começaram a referir ao jornalista como homofóbico e a pedirem a sua demissão.

Tantas vezes se criticam os jornalistas pelo linchamento gratuito de algumas personalidades que, antes de serem condenadas pela justiça, são-o pelos Órgãos de Comunicação Social, mas esquecem-se que os Facebookianos gostam de atirar balas sem se contextualizarem primeiro.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Legitimidade Para Governar

O resultado final das eleições legislativas pode legitimar uma governação com partidos de esquerda ou com a coligação de direita. Em termos abstratos a nossa democracia devia basear-se na eleição de deputados, que representam quem neles votou. Se assim fosse, tanto o Bloco de Esquerda como o Partido Comunista teriam legitimidade para reivindicar ao PS um governo de coligação. No entanto a personalização da campanha feita por todos os partidos, retira todos os argumentos ao PCP e Bloco.

Um partido político não pode fazer uma campanha completamente centrada no líder, dando a entender que se joga a eleição de um primeiro ministro e, resultados apresentados, reverter a estratégia.

Esta não é uma situação exclusiva de PCP e BE. Também o PS jogou no campeonato do líder todo poderoso. Curiosamente apenas a coligação não personalizou a sua campanha. Percebe-se porquê. Até o Bloco de Esquerda, em Coimbra, substituiu um cartaz onde apareciam Catarina Martins (líder do partido) e José Manuel Pureza (cabeça de lista) por um cartaz onde apenas surgia a líder.

Esta forma de fazer política não é mais correta porque contorna a substância do sistema que elege deputados que servirão para apoiar um Primeiro-Ministro que o Presidente da República nomeia. Mas é a estratégia escolhida pelos partidos. Desta forma, faz todo o sentido afirmar que quem ganha, governa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Morrer É Mais Difícil Do Que Parece"

Li por sugestão um texto escrito por Paulo Varela Gomes. Um texto forte que descreve como é difícil um cancro matar um homem agarrado à vida. E como é difícil um homem matar-se quando se encontra com Deus.

Paulo Varela Gomes tem cancro, há mais de dois anos. Não espera viver muito mais tempo e não quis submeter-se aos tratamentos oncológicos. "Decidimos que nunca me submeteria aos tratamentos da medicina oncológica, às suas armas: as clássicas (cirurgia), as químicas (drogas) e as nucleares (radioterapia). Estas armas destroem as defesas próprias do organismo e aceleram frequentemente a sua degradação. Já vi suficientes doentes de cancro entregues nas mãos da oncologia para tremer de horror ao pensar que poderia suceder-me o mesmo."

Tentou matar-se, mas diz que Deus não o deixou. "Coloquei a cadeira junto a uns troncos cortados, sentei-me e, já com os canos da arma na boca, o dedo aflorou o gatilho. Senti o metal como uma coisa sem qualidade, cálida, mortiça, dócil. Tudo me pareceu vagamente ridículo, o meu gesto, os objectos de que me rodeara. Veio até mim mais uma vez o cheiro da hortelã. Ergui os olhos que tinha fixados na guarda do gatilho e vi um pinhal que o sol, através de uma abertura nas nuvens, isolava, dourado, do verde-escuro da encosta. Ocorreu-me de repente uma vaga de alegria inexplicável, como se fosse um sinal da presença de Deus à semelhança daqueles que os textos sagrados referem por vezes. Cheguei à mais simples conclusão do mundo: estava vivo e, enquanto assim estivesse, não estava morto."

Um texto que é um "murro", como João Taborda da Gama o expressou no DN. Publicado originalmente na revista Granta, pode ser lido aqui!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O PS E Os Jornalistas - Round II

Não há dúvidas de que António Costa tem problemas em lidar com a imprensa. Agora ficamos a saber que as vespas que o sobrevoam também não lidam bem com jornalistas.

Reflexo disto é o azedume que os socialistas demonstraram quando a RTP decidiu pegar na frase de Paulo Rangel ("alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?") e fazer um debate sobre as interferências da política na justiça em Portugal. João Galamba veio pedir a demissão de Paulo Dentinho e Isabel Moreira disse que a RTP era uma puta.

O tema é importante e deve ser encarado como tal. A RTP cumpriu o seu dever e debateu um assunto que merece ficar esclarecido antes de os portugueses irem a votos. O jornalismo deve influenciar. Deve ter importância na hora de decidir. E não, Isabel Moreira, a RTP não deve ser isenta dessa forma que está a pensar. Porque para os políticos, isenção é dar um microfone a cada político em espaços temporais semelhantes. A realidade é que o jornalismo é muito mais do que isso, cara deputada.

Apesar de tudo, a RTP acabou mesmo por ser obrigada a ceder a pressões. O PS criticou e, embora o tema se tenha mantido, a frase de impulso - a tal de Paulo Rangel - foi removida. É como se o tema tivesse surgido por acaso.


Já agora, prefiro não comentar o post de Porfírio Silva que insinuou que há jornalistas a influenciarem a campanha por serem familiares de membros do PSD. O socialista referia-se claramente a Fátima Campos Ferreira que é casada com o atual Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. Talvez por ter feito a publicação às 6 da manhã, Porfírio ainda devia estar adormecido e esqueceu-se que o diretor de um dos jornais que mais vende em Portugal e que forma boa parte da opinião dominante na sociedade portuguesa é irmão do líder do seu partido.
 

Eu não tenho dúvidas de que Fátima Campos Ferreira foi profissional e independente na escolha do tema e moderação do Prós e Contras e também não tenho qualquer suspeita de que Ricardo Costa é um dos jornalistas mais livres que conheço e leio semanalmente com interesse.

Onda Anda O Dinheiro?

Na passada edição, o Expresso desenvolveu uma pequena reportagem sobre aquilo que está a tornar-se "uma tendência": o recurso a "caçadores de informação" que trabalham para grandes empresas, especialmente bancos, e que têm como objetivo saber onde param ativos escondidos ou fraudulentos. O BCP é o caso referenciado que segundo o Expresso anda atrás do dinheiro de alguns dos seus clientes maus pagadores. 

Ora, sendo este um serviço em franca expansão e cujo pagamento é feito consoante os resultados obtidos, faço minhas as palavras do fiscalista Tiago Caiado Rodrigues: "porque é que não foram contratadas empresas destas para investigar os casos recentes de falências de bancos em Portugal?"

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O Costa Quer Meter Medo

António Costa tenta a todo o custo manter o Caso "Marquês" longe da ribalta porque receita ser afetado pelas supostas trafulhices de Sócrates, mas não se coíbe de herdar vícios antigos do antigo primeiro ministro.

A forma como Costa se debateu com o jornalista Vítor Gonçalves na RTP vem deixar claro (se é que ainda existiam dúvidas) de que o líder do PS lida mal com a imprensa. Neste caso Costa afirmou que o jornalista da RTP estava ali mandatado pela coligação de direita. 

Para além deste caso vem-me à ideia a mensagem que este senhor enviou ao diretor adjunto do Expresso e ainda a discussão com uma jornalista da SIC que o apanhou "inopinadamente para pôr no telejornal".

Quando um indivíduo quer ser primeiro ministro e lida desta forma com a comunicação social algo está mal. Muito mal mesmo...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os Masters Da Opinião

Depois de um debate político na televisão portuguesa entre líderes de partidos diferentes as televisões SIC e TVI convidam para comentar a prestação de Costa e Passos, Marques Mendes e Rebelo de Sousa, respetivamente. Estes dois senhores sentam-se na mesa (cada um em seu canal) e ao lado do jornalista vão falando da prestação dos debatentes. Tudo isto se passa em sinal aberto. E passa-se com a maior das normalidades, ignorando que Mendes e Marcelo são militantes de um partido que, por acaso, era um dos intervenientes no debate. Só por acaso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Tudo À Volta Do Debate. E Os Outros?

O debate de hoje entre Passos e Costa vem reafirmar as queixas consequentes que os pequenos partidos fazem ao jornalismo no geral e às televisões em particular. Não podemos continuar a tolerar que se dê um destaque de tal grandeza a apenas dois partidos políticos em detrimento de todos os outros. Nesta campanha eleitoral até os partidos com assento parlamentar foram remetidos para segundo plano, sendo os debates em que participaram despachados para os canais de notícias no cabo.

Não acredito numa lei eleitoral para contornar uma decisão que deve ser exclusiva das direções de informação. Acredito no bom senso jornalístico que, embora não possa dar destaque igual a todas as candidaturas (são mais de 20!) deve, pelo menos, contornar a sua preferência evidente por determinados partidos. Fazer tanto alarido em torno de um único debate é apostar no voto útil. Os jornalistas que tomaram esta decisão quiseram dizer aos espectadores que a decisão se encontra apenas entre um dos dois candidatos que debateram em direto e em simultâneo em todos os canais generalistas. E desta forma negar a ascensão dos pequenos partidos em Portugal, motivada pela descrença nos partidos políticos que nos governaram durante todo o período de liberdade e, quiçá, ignorar também a possibilidade de explosão de fenómenos como o Podemos, em Espanha ou o Syriza, na Grécia. 

Aquilo que provavelmente vai acontecer do próximo dia 4 de outubro é uma das maiores fragmentações da Assembleia da República nos últimos anos. Se isso acontecer o jornalismo vai perceber mais uma vez que há fenómenos que lhe são alheios e terá que correr atrás do prejuízo. Vai ainda ter a percepção - mais uma vez! - de que já não domina a maior parte do fluxo informativo e, por conseguinte, perde poder. Poder que é necessário a uma sociedade livre.

P.s.: É necessário elogiar a direção de informação da RTP que em sinal aberto no horário nobre do seu segundo canal dá espaço a todas as forças partidárias que concorrem a estas eleições.

domingo, 6 de setembro de 2015

Passos Contraditórios

No dia 3 de setembro o Observador (e outros jornais) publicou a notícia sobre a recusa de Passos Coelho aos Gato Fedorento. O primeiro ministro não quer ir ao programa apresentado por Ricardo Araújo Pereira porque Paulo Portas já assegurou a sua presença e se Passos também fosse estar-se-ia "a duplicar".

Nesse mesmo dia escrevi na caixa de comentários desta notícia que a justificação do chefe de estado era ridícula uma vez que Passos Coelho inviabilizou um debate com as principais forças partidárias porque queria que Portas também estivesse presente. Afinal, o que quer o PM? Talvez confie mais nas capacidades do seu companheiro de coligação do que em si próprio.


A propósito deste tema Ricardo Araújo Pereira revelou qual seria a primeira pergunta que faria ao atual primeiro ministro: "O homem que exerceu esse cargo antes de si está preso. Podemos ter esperança que lhe aconteça o mesmo a si?"


Esta pergunta só pode ser colocada por um humorista, mas tem toda a pertinência. O que responderia Passos? Se garantisse que isso era impossível, estaria a subentender que Sócrates está preso porque cometeu atos criminosos que ele nunca cometeu.


Seria muito interessante ouvir Passos Coelho, responder a esta pergunta que, invariavelmente, poderia trazer para a campanha o tema Sócrates com toda a força.

sábado, 5 de setembro de 2015

A Reportagem Da RTP Com Os Refugiados Na Macedónia

A Televisão tem a capacidade de mostrar imagens que quando utilizadas por bons profissionais nos dão o enquadramento perfeito de uma estória. É o caso da equipa composta pelo jornalista Ricardo Alexandre e pelo repórter de imagem Nuno Tavares que nos mostraram, em português, aquilo que os jornais já têm descrito. São as viagens dos refugiados Sírios na tentativa de chegarem ao centro da Europa.

Estes dois homens, ao serviço da RTP, entraram num comboio com condições abaixo do exigido e fizeram uma viagem longa até à fronteira com a Sérvia. Mostraram como se acomodam aquelas pessoas. Algumas até têm bancos, mas a maioria está deitada nos corredores e nos espaços entre carruagens. Vem-me à memória a segunda guerra mundial e os famosos comboios nazis. Estas pessoas terão um futuro menos mau, esperemos. Afinal já fizeram a viagem mais atribulada, sem linha e carruagens. Apenas com barcos frágeis e água, muita água.

A Vestir A Camisola Da CMTV

A CMTV voltou a oferecer-nos um momento memorável de televisão: um homem foi enxovalhado quando tentava entregar uma piza na casa onde José Sócrates está preso. E quem é que o enxovalhou? A jornalista da televisão mais asquerosa que Portugal já viu.

Onde anda o Sindicato e a Comissão da Carteira? Ah, esperem, andam a pedir aos jornalistas desportivos que tapem o logotipo da Nós dos coletes identificativos da liga!!!


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Longe Da Vista, Longe Do Coração

Não fosse estar deitada na areia, completamente encharcada e até podíamos dizer que esta criança morta estava simplesmente a dormir, tal é o seu ar sereno. É mais uma vítima da guerra dos homens que ainda não tinha idade para perceber. Esta fotografia não acrescenta nada à realidade. Já todos sabemos que morrem pessoas todos os dias a tentar chegar à Europa para uma vida verdadeiramente livre. Mas como na cultura ocidental o que está longe da vista, está longe do coração, é absolutamente pertinente mostrar uma das vítimas que não conseguiu chegar ao destino. 

O Jornalismo Refletido Ganha Sempre

Hoje o editorial do Público foi inteiramente dedicado a uma reflexão. Deveria ou não publicar a foto da criança, que fugia da guerra com os seus progenitores e que acabara por morrer e ser encontrada numa praia.

A conclusão desta reflexão é o que menos importa, aqui que é verdadeiramente importante é um jornal ter a capacidade de refletir as suas escolhas. Mesmo que depois elas se venham a revelar erradas. Isto sim é jornalismo!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Medina Dá Show

Medina Carreira dá show todas as semanas na TVI24. Nunca tinha perdido muito tempo a ver o catastrofista incorrigível, mas hoje virei-me para esse lado e pergunto-me: como é que Judite Sousa aceita estar de corpo presente, sem intervenção de maior, num programa em que apenas atira bananas ao macaco para ele mostrar mais truques? Pior ainda: como é que a TVI aceita ter uma das suas jornalistas mais bem pagas (presumo) a gastar tempo do seu trabalho num programa deprimente e de legitimidade questionável?

Medina escolhe os convidados, os temas, dá os títulos, não se coíbe de mandar umas bocas de velho rabugento quando não gosta dos horários do programa e ainda forma a sua opinião com base em gráficos que ele próprio constrói e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, a TVI ainda os legenda atribuindo a fonte dos dados ao próprio Medina Carreira. Na edição de hoje Judite Sousa ainda duvidou da atualidade dos dados de um dos gráficos mostrados pelo antigo ministro. Mas não insistiu na questão para não hostilizar o convidado.

Afinal para que serve um jornalista num programa? Se é só para fazer sorrisos, acenar e dizer boa noite, creio que há pessoas mais capazes de o fazerem...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Merkel Deu O Exemplo. E Bem!

Depois de tantas críticas à Alemanha por causa da gestão da crise de refugiados, é importante agora tirar o chapéu à sua líder que deu um passo importante ao conceder asilo a mulheres e homens sírios. Merkel deu ainda um puxão de orelhas aos países que nem atam nem desatam e pediu à Europa uma rápida resolução de um problema que deixa milhares de pessoas em condições indignas em terreno europeu.

Não podemos continuar a assobiar para o lado e esperar que o problema se resolva sozinho. É fundamental encarar o problema e perceber que estas pessoas estão cá e não podem ser enviadas para os seus países de origem porque isso seria o equivalente a colocar-lhes uma corda no pescoço.

Como Merkel teve uma atitude de chefe de estado consciente e verdadeiramente europeista, confirmando os valores da fundação da União Europeia, vamos esperar para que os carneiros que geralmente a seguem em todas as suas tomadas de posição, também o façam desta vez.

Há ainda o problema de países como a Hungria que continuam a agir em termos sociais como outros agem em termos económicos. Será que a saída de um país da União Europeia só está em cima da mesa quando estes deixam de pagar as suas dívidas?

sábado, 29 de agosto de 2015

O PSD E As Prisões

Paulo Rangel, essa sereia livre do PPD, veio perguntar se “Alguém acredita que se PS fosse Governo havia um primeiro-ministro investigado?”
Eu não sei a resposta a essa pergunta, mas fico feliz pela insinuação. Afinal de contas já foi há muitos anos que um partido português teve verdadeira influência em prisões. Chamava-se União Nacional.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Peixoto E A Nossa Europa

José Luís Peixoto e a nossa Europa. Hoje na Visão.
(...) Hoje a União Europeia é uma enorme instituição económica. Aquela que sempre foi a prioridade, a criação de um mercado europeu, transformou-se no seu interesse exclusivo. Deixou de valer a pena fingir que há outras áreas de relevância. À volta desse espaço, construíram-se muros que condenam à morte milhares de homens, mulheres, crianças, vemo-los na televisão e temos pena até à notícia seguinte. 
 Esse mercado europeu, esse espaço tão vantajoso para alguns, é como o recreio de uma escola do tempo em que eu tinha onze anos, quando fazia trabalhos de grupo e ainda se desconhecia a palavra bullying: os mais velhos batem nos mais novos, os que têm sapatilhas de marca humilham os que têm sapatilhas da feira. (...)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Os Jornalistas E A Imparcialidade

Os jornalistas andam a levar demasiado a sério o conceito de imparcialidade...

Mais Um Sinal Da Fraca União

A Europa continua (cada vez mais!) a ser invadida por não-europeus que fogem da guerra. Acontece que, por razões óbvias, estas pessoas não podem ser extraditadas para os seus países de origem.

Quando os migrantes chegam a um país da União Europeia devem ser registados e, de alguma forma, passam a estar vinculados a esse país.

Isto significa que se estas pessoas chegarem a outros países da UE, como a Alemanha e a França, e se não forem aceites podem ser extraditados... não para o seu país de origem, mas para o país que primeiro os recebeu aqui na Europa.

Merkel e Hollande já vieram pedir aos países do sul como a Grécia e a Itália para não descorarem este processo de registo. Estes senhores estão preocupados com os migrantes que podem chegar aos seus países, mas ignoram as dificuldades que os países que os estão a receber estão a atravessar. 

Porque será que é mais fácil encontrar consensos para que a Grécia, Portugal, Espanha, Itália etc. paguem o que devem à França e à Alemanha e é tão difícil chegar a uma política comum de partilha de responsabilidades e de atuação internacional?

Acho que sei a resposta, mas é tão óbvia que não vou dizer...

A Minha Avó E A Ministra Das Finanças

A minha avó é sportinguista tal como eu. Aqui há uns anos dizia que não gostava muito de futebol, mas quando o Sporting jogava ficava de orelhas arrebitadas. E ainda hoje fica.


A minha avó via os jogos e quando o equipamento da equipa adversária era semelhante ao da nossa, ficava um pouco confusa. Quando havia uma falta dentro da área a minha avó apressava-se a gritar penálti. Muitas vezes dizia-lhe que era contra o Sporting e então ela mudava de opinião afirmando: "nem lhe tocou".

Aquilo que importava na tomada de decisão dela não era a veracidade dos casos, mas sim se favoreciam ou prejudicavam a nossa equipa.

Lembrei-me deste episódio aproposito da mais recente argolada da ministra das finanças que criticou o programa do PS, mas ainda não o havia lido.

Tal como a minha avó, a ministra está formatada para achar uma proposta má se for ideia de um partido que não o seu. Está a ministra e estão todos os políticos em geral que antes de tomarem uma posição perguntam... Isto é ideia nossa ou dos outros?

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Vetusta Universidade

Vender postais na baixa da cidade de Coimbra é uma atividade que me lembro de ver desde o dia em que cá cheguei. Na realidade os estudantes que vestem capa e batina para desempenharem esta atividade não falam em venda, mas sim em oferta. Na realidade os turistas dão o que quiserem por um postalito e uma foto com o trajado.

Esta semana foi notícia uma ação policial que visou a identificação destes jovens. A Universidade, na pessoa do vice reitor Luís Filipe Menezes, criticou duramente a atividade que "prejudica a cidade e o turismo", pôs em causa os estudantes que vendem na baixa ("nem sei se eles são estudantes", disse o vice reitor à RUC) e ainda especulou sobre o destino que é dado ao dinheiro que os jovens angariam. Luís Filipe Menezes sugeriu ainda que, se estes jovens são verdadeiramente estudantes e carenciados, devem inscrever-se nos serviços de ação social da Universidade de Coimbra. E inscreverem-se para quê? Para venderem outras bugigangas, também trajados, mas na alta da cidade onde, presumo eu, esta atividade já não deva prejudicar a imagem da cidade e do turismo.

É também provável que o senhor vice reitor queira que estes jovens vão trabalhar para uma cantina onde o pagamento é feito por senhas de refeição. Ou seja, os estudantes trabalham a preparar refeições e no final do dia de trabalho vão esperar os outros estudantes, nas filas da cantina, para que possam fazer algum dinheiro com as senhas de refeição que lhes são atribuídas como salário.

A Universidade tem que ser menos hipócrita. Não há dinheiro para tudo, mas a falta dele não deve servir de desculpa para indignidades. O trabalho só é digno se fôr remunerado justamente!

p.s.: deixei esta mensagem no Facebook aos meus amigos que vendem postais na baixa:
Prezados colegas que andais a oferecer postais na baixa da cidade, aproveitai a vossa experiência e segui o conselho do Sr. Vice Reitor da vetusta Universidade de Coimbra e ide vender senhas de alimentação para a fila das cantinas depois de um dia a encher de atum e milho pão comprido com extremidades arredondadas. Só precisais de trocar a batina pela bata amarelada pelos resquícios de ovo cozido. Aproveitai a oportunidade. É um trabalho bem mais fresco!

Obama Acaba Bem


Capa da revista Courrier Internacional de dezembro de 2014 (nº226)
Em dezembro do ano passado a revista Courrier Internacional (Portugal) reuniu um conjunto de artigos de publicações estrangeiras sobre o período de governação de Barack Obama. A conclusão ficou vincada na capa em que o primeiro presidente negro da história da América aparecia cabisbaixo. "A última oportunidade" era o título da publicação e deixava evidente os degraus que Obama deixou de subir.

Num dos artigos traduzidos para a revista portuguesa dizia-se que "Obama pensava poder transformar a política e a sociedade americanas, mas pode não vir a ser lembrado como um grande chefe de estado". Quando colocado ao lado de outros chefes de estado, pensava-se que podia chegar ao nível de figuras como Kennedy ou Roosevelt, mas o Washington Post não perdoava: "Obama caiu tão baixo que os jornalistas se perguntam se Jimmy Carter não seria um paralelo mais adequado".


A verdade é que teve que governar um país debaixo de uma crise financeira sem precedentes, foi manietado por um congresso caprichoso e não podemos esquecer que o legado deixado pelo antecessor George W. Bush era desastroso.


Barack Obama conseguiu dar a volta por cima depois de se ver ultrapassado, enquanto potência económica, pela China. O gás de xisto deu um novo impulso à energia global e, de certa forma, deixou alguns dos países mais corruptos - e mais dependentes do petróleo - a fazer contas de cabeça e a mostrar ao mundo que quando o dinheiro falta é como quando se zangam as comadres: sabem-se as verdades e o povo revolta-se.


Pode dizer-se que o gás de xisto não foi feito de Obama. Até pode ter sido de Deus, mas ocorreu no seu mandato e, quer queiramos, quer não, mostrou ao mundo a pujança dos EUA e o seu domínio sobre a energia.


Mais recentemente Obama conseguiu, finalmente, os pins na lapela de que precisava para não voltar a ser comparado com os presidentes mais medíocres da história da América.


Este foi o homem que - aqui sim, sem rodriguinhos - tornou possível o hastear de uma bandeira dos Estados Unidos na capital de um dos seus mais hostis adversários: Havana.


Obama também encabeçou a vontade de mudar no casamento entre pessoas do mesmo sexo que agora já é permitido nos Estados Unidos. Tardou, mas foi!


O acordo nuclear ainda é embrionário, mas foi um passo histórico num mundo onde muitas vezes nem dialogar é possível.


Ficou a faltar Guantanamo. Façamos figas para que a intenção do presidente siga para bom porto. De facto, é de boas intenções que o inferno está cheio, mas se as intenções de Obama forem como as de Bush...


Texto originalmente publicado no site da SDDH\AAC

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O Marinho Quer Os Bolsos Cheínhos!

© RTP FREE CONTENTE LICENCE
O vulto da advocacia, da democracia e da demagogia, António Marinho e Pinto, muito provavelmente, não vai conseguir ser eleito deputado do parlamento português. O homem que critica os ordenados pornográficos dos deputados europeus, também já veio lamentar o baixo nível salarial dos deputados portugueses.

Critica, mas não abdica. É que Marinho tem a filha a estudar no estrangeiro e os tempos não estão fáceis.

Talvez por isso queira ir a eleições pelo círculo eleitoral de Coimbra no qual, com base nas últimas europeias, não terá votos suficientes para ser eleito.


Marinho está na linha do meu pensamento. Se existem círculos distritais, os cabeças de lista devem conhecer os distritos para que, em teoria, sejam fiéis representantes dos seus eleitores diretos.


Ora neste cenário Marinho Pinto está para o PDR (o partido que o antigo bastonário fundou para concorrer às legislativas) como Jerónimo de Sousa está para Os Verdes. É uma barriga de aluguer para que o cabeça de lista por Lisboa seja eleito.


Marinho não é pelos tachos, mas a sua figura (até podemos dizer marca!) está a conseguir formar um belo trem de cozinha.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Assim Vai A Bola...

O Presidente da FIFA, Joseph Blatter demitiu-se há quase dois meses. Aconteceu quatro dias depois de ser eleito. Disse que já não sentia o apoio dos atletas, dos clubes, das federações. É claro que só no futebol é que uma eleição pode significar falta de apoio. Porque esse apoio é comprometido. É corrupto.

Blatter demitiu-se porque está a ser investigado e muito provavelmente vai gozar a reforma num T0 frio e húmido com vista limitada para o sol.

Outra pessoa de pureza questionável decidiu candidatar-se à presidência da FIFA. Não estou a falar de Luís Figo, falo de Platini. O francês arrogante quer ser o próximo abutre a ocupar o cadáver.

Continuo sem dar novidades. A grande novidade vem agora, pelo menos eu ainda não sabia. Mas as eleições da FIFA só se vão realizar em fevereiro! 8 meses depois da demissão do presidente! Blatter sabe que não é vetusto, demite-se porque está a ser investigado por suspeitas de corrupção e ainda fica mais 8 meses na cadeira de sonho!!!

[estou sem palavras] 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

#tvimal

Passos esteve na TVI para mais uma entrevista das muitas que ha de dar nas próximas semanas em virtude das eleições legislativas que aí vêm.

Ora, a entrevista pode ter sido boa ou má. Caberá a cada um decidir. Mas esta decisão parece facilitada por uma ideia da direção de informação da TVI. Ideia esta que já havia sido tomada na entrevista de António Costa e que consistia em pedir aos internautas que juntassem aos seus comentários à entrevista nas redes sociais, a hastag #passosbem e #passosmal consoante achassem que o PM se havia saído bem ou mal numa resposta.

Este método é claramente falível e inútil. Tem piada ver algumas pessoas no Facebook e Twitter aderirem a esta ideia, mas não se pode tirar qualquer conclusão do resultado final que, por acaso, até foi uma espécie de empate com ligeira vantagem para o #passosmal.

Utilizador do Twitter @boelojdjdjjdjd replica a hastag 
#passosbem em twetts absurdos para 
aumentar o ranking positivo

O círculo verde e vermelho no ecrã dá uma espécie de selo inovador à televisão que o emite. Mas já se devia saber que é propício a chapeladas. Exemplo disso é a conta no twitter @BoeloJdjdjjdjd que no decorrer da entrevista de passos fez twetts sem sentido aplicando a hastag #passosbem.

A TVI vai ter que manter esta lógica absurda no resto das entrevistas para as legislativas, mas esperemos que não seja transposta para outros formatos.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O Problema Do BES É Da Justiça

© Richter Frank-Jurgen FREE CONTENTE LICENCE
Assisto com espanto à continuação dos protestos dos famosos lesados do Banco Espírito Santo. Pessoas que aplicaram as poupanças de uma vida de trabalho num produto financeiro de altíssimo risco e que agora se vêm sem o seu retorno.

É compreensível que o desespero os leve às ruas. Percebo as dificuldades porque podem estar a passar. Aquilo que não se compreende é que os cartazes que empunham tenham as caras de Carlos Costa, Passos ou Portas. Esses são só os incompetentes que sempre conviveram promiscuamente com os poderes financeiros. Os verdadeiros responsáveis pelas situações de desespero são Salgado, Ricciardi, Sobrinho e outros.

O protesto é sempre aceitável. Mas não é tolerável que se faça uma pressão deste nível sobre as instituições políticas, quando o problema deve ser resolvido pelas instituições judiciais.

Estas pessoas foram enganadas ou até mesmo ambiciosas de mais. Já se ouviram casos de assinaturas de contratos de cruz e até já se ouviram casos de instruções falsas deliberadas para que subscrevessem os produtos de altíssimo risco.

Enquanto cidadão não vou tolerar que este problema se resolva nos gabinetes de S. Bento. São os tribunais que devem encontrar os responsáveis pela situação, procurar o dinheiro e entrega-lo a quem de direito. Mas também é preciso identificar os ambiciosos a quem o BES criou água na boca com taxas de juro elevadíssimas e com prefeita noção do risco.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Os Fantoches Da Assembleia Da República

© IPPAR  FREE CONTENTE LICENCE
Aqui há uns dias a TVI pôs um repórter na rua com fotografias dos deputados da Assembleia da República. Perguntava às pessoas se conheciam aquelas caras. A maior parte disse que não.

As pessoas que apareciam nas imagens eram eleitas para representarem, na casa da democracia, as pessoas que afirmavam não as conhecer.

O sistema político português assenta numa falta de interesse dos eleitores pelo sistema de eleição e, digamos, por uma falta de interesse dos eleitos em serem reconhecidos. Desta forma, os deputados não são associados a decisões que prejudicam os seus eleitores e assim vão passando pelos intervalos da chuva.

Se podemos dizer que o desconhecimento parte de algum alheamento por parte do povo relativamente às instituições, não é menos verdade que os partidos políticos jogam com isso a seu favor. 


É do interesse das estruturas partidárias que os deputados sejam apenas associados a um partido político e não a uma região da qual são provenientes. Só assim podemos explicar a ideia absurda e pouco democrática, apresentada pelo PSD de expulsar os deputados que se mostrem dissidentes em decisões tomadas na AR.

Outra forma de tentar contornar a genuína função das eleições legislativas - eleger deputados - é transmitir de forma insistente a cara dos líderes partidários que serão nomeados primeiros ministros no caso de o seu partido ganhar as eleições.

É ainda de lamentar que para que ganhem lugares elegíveis e tenham o seu quinhão, alguns indivíduos sejam enviados para encabeçarem listas em distritos com os quais não têm qualquer relação. É o caso de João Galamba que vai encabeçar a lista de Coimbra do PS sem ter relações com a cidade (talvez tenha uns avós na Figueira).

Em último lugar, referir a agitação que vai dentro do Partido Socialista com a distribuição de cadeiras. Ou, como o povo gosta de dizer, poleiros. Álvaro Beleza, entrevistado à entrada da sede do PS em Lisboa, e visivelmente preocupado com o seu lugar na AR disse que o partido devia escolher os seus deputados tendo em conta aqueles "que dão muito ao partido".

Era importante que os partidos políticos colocassem cada vez mais os interesses dos eleitores à frente dos seus interesses pessoais. A continuar assim fica a pergunta: para que servem 230 fantoches, se 23 faziam o mesmo serviço?

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os Festivais, A Internacionalização E As Marcas

em Oeiras, Portugal
Nos Alive 2015 © Diogo Pereira 2015
Os festivais de música estão a posicionar-se cada vez mais como referências de Portugal no estrangeiro. De volta a conversa do clima propício e a hospitalidade.

No Alive, por exemplo, não é preciso andar muito para tropeçar em espanhóis, franceses, italianos, alemães e muitos outros estrangeiros. Segundo Álvaro Covões, responsável por este evento que acontece anualmente em Oeiras, a receita é trazer os turistas até Lisboa, dar-lhes a manhã e a hora de almoço para visitarem a cidade e provarem a gastronomia, à tarde assistem aos concertos das suas bandas favoritas e ainda ficam com a madrugada para experienciarem a movida alfacinha.

A fórmula parece resultar. Só este ano foram 15 mil os estrangeiros que estiveram em Lisboa para ver Muse [na foto], Mumford & Sons e muitos outros artistas de relevo mundial. E mais uma vez, segundo a organização, ficaram por Lisboa mais dias do que os três do festival.

Com tanto público e tantos interessados em entrar no recinto, este é o tipo de acontecimentos que atrai as marcas. Os brindes são às centenas e a construção de stands parece épica. O objetivo é ver quem tem o castelo mais vistoso.

Mas ainda falta muito público de fora do país para que estes festivais tenham uma verdadeira posição global. Começaremos a estar perante produtos de atração global quando, como nos eventos desportivos, as marcas internacionais tiverem interesse em patrocinar estes concertos.

No Alive não há marcas globais. Ou melhor, apenas a Heineken, marca de cerveja holandesa é de conhecimento global. De resto, o patrocinador principal é português e todos os outros o são também.

Quando os estrangeiros forem mais, talvez venhamos a conhecer novos patrocinadores. Ou melhor, sponsors...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O Vício Dos Números

Observador noticia empregabilidade dos cursos das instituições de ensino superior portuguesas em quatro artigos
Se pudéssemos generalizar e dizer que todos os jornalistas eram viciados em alguma coisa, essa coisa seria os números. A ansiedade de quantificar é tanta que, muitas vezes nem olhamos para o verdadeiro valor dos dados apresentados. Falo na primeira pessoa, porque compreendo a factualidade dos números e, de facto não há dados mais objetivos do que eles. Mas, nem só de objetividade vive o jornalista. Um olhar crítico não faz mal a ninguém.

A economia tem avassalado de tal forma a atualidade que, quando falamos em dívida, défice, PIB, taxa de desemprego ou inflação, esquecemo-nos que estes dados dizem respeito a pessoas e que um ajuste no excel pode por as contas a bater certo, mas pode ter implicações sociais terríveis.


As peças são diferentes, mas baseiam-se todas num "documento do Ministério da Educação enviado às instituições de ensino superior". E baseiam-se mal porque estes dados podem ser falaciosos.

Em primeiro lugar, nem todos os graduados estão inscritos nos centros de emprego e, assim, não contam para as estatísticas. Em segundo lugar, a empregabilidade não é analisada à luz da área de formação dos licenciados. Ou seja, um curso que empregue muitos jovens, mesmo que num sector completamente diferente da sua área entra para as estatísticas como um curso com grande empregabilidade.

O Observador é cauteloso ao admitir que "estes dados sobre o desemprego têm de ser lidos sempre com cautela, pois nem todos os desempregados estão inscritos em centros de emprego e, por outro lado, muitos podem estar a trabalhar em ofícios que nada têm que ver com a licenciatura (com ou sem mestrado integrado) que tiraram". Mesmo assim não deixa de dar destaque ao tema com títulos enganadores e com referências inequívocas na Newsletter assinada por David Dinis, o diretor.

Neste caso deve fazer-se uma reflexão sobre qual o objetivo das notícias dos órgãos de comunicação social. Se esclarecer era a vontade dos jornalistas que escreveram estes textos, ela não foi conseguida. E estando nós numa época do ano em que milhares de jovens se preparam para escolher o seu futuro no ensino superior, estas informações podem mesmo induzi-los em erro.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Cancro De Laura

Correio da Manhã, 8/7/15
Algumas vezes jornalistas e atores da sociedade fazem pactos. Compromissos de honra, baseados na palavra, que têm um objetivo.

O último pacto de que há conhecimento foi estabelecido com o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho e tinha como objetivo ocultar a doença de Laura Ferreira, sua esposa, que luta contra o cancro.

Este compromisso com os jornalistas nunca havia sido quebrado até Passos autorizar uma sua assessora a biografa-lo e, com essa autorização, autorizou-a também a escrever sobre a doença da mulher. 

Recentemente, Passos e Laura apareceram juntos numa visita oficial a Cabo Verde. A imprensa - principalmente a de qualidade duvidosa - aproveitou para fotografar Laura sem cabelo e escrevinhar sobre a doença desta mulher.

Muitos foram os que se insurgiram contra os jornais e revistas que escreveram sobre o assunto, mas Passos quis que isto acontecesse. É um político experiente e sabe perfeitamente que "é das carecas que os eleitores gostam mais".

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Bem Vindos Ao Século XXI

Cristina Esteves explicou ontem as diferenças nos blocos informativos em 16:9 © RTP
A RTP começou hoje a transmitir integralmente em 16:9. Esta tecnologia que transforma a imagem num retângulo em vez do atual quadrado - simplificando a explicação técnica -, é usada por televisões de todo o mundo em produções televisivas de grande qualidade. A alta definição, por exemplo, é conseguida com esta resolução de imagem.

A realidade é que a televisão pública já transmitia os seus formatos de entretenimento - como os programas da manhã e da tarde, os concursos, as ficções e os eventos desportivos - em 16:9. Mas só agora a informação é feita com este padrão. Desconfio que este atraso se deve à idade avançada dos meios técnicos que a RTP usa na informação, que dificultam a passagem para esta nova fase. Há - ou havia - delegações regionais da televisão pública que ainda usavam câmaras de cassete!

Esta é uma boa notícia, significa que a RTP se está a modernizar, mas devíamos ter ouvido esta notícia há pelo menos uns 5 anos atrás, para não dizer 10... ou 15!

Continuar a emitir em 4:3 quando a televisão começou a trilhar novos caminhos há muito, é o mesmo que mostrar programas a preto e branco quando as cores já são possíveis.

Mas pior do que a RTP, estão SIC e TVI que emitem, em 2015 - sim, em 2015! - integralmente em 4:3 e com qualidade de imagem absolutamente deplorável. Basta compararmos a emissão dos canais privados com o canal público no daytime, por exemplo.

Esta questão leva-me ainda mais a acreditar que as televisões não querem fazer investimentos em tecnologia e que muito menos estão preocupadas com a sua reputação ou a sua viabilidade a longo prazo. Interessam-se apenas em lucrar hoje.

A fraca aposta na inovação, os programas da treta que, desde a primeira à última hora apenas interessam às gerações mais velhas e os enjoativos concursos assentes em chamadas de valor acrescentado vão conseguir uma coisa: o desaparecimento destes canais como os conhecemos. Prova disso é o aumento significativo das audiências dos canais por cabo.